Fraturas em terço médio da face quais são e como tratar

Fraturas em terço médio da face: quais são e como tratar

As fraturas em terço médio da face, assim como as que podem acometer também o terço superior e as classificações referentes às fraturas mandibulares, são temas bastante prevalentes nas provas para residência em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial — independente da região do Brasil.

Ou seja, reconhecer suas classificações, os ossos envolvidos nesse tipo de fratura e os principais sinais clínicos, é fundamental para se fazer uma excelente prova e garantir a vaga na tão sonhada residência.

As fraturas de terço-médio e superior da face são bem prevalentes em diferentes serviços de traumatologia, em especial as fraturas de ossos próprios nasais e as que envolvem o complexo zigomático.

Isso acontece, porque a face é a região do corpo humano que mais se encontra em exposição diariamente — incluindo os fatores etiológicos do trauma. Estruturas como as citadas acima são as mais proeminentes do rosto, o que facilita a sua fratura quando acontecem colisões ou traumas de alto impacto na região.

E, justamente por ser a região mais exposta, o rosto também é considerado o centro de interação entre as pessoas.

Dessa forma, quaisquer alterações podem gerar consequências não só funcionais como, também, psicológicas — uma vez que afeta a autoestima e a qualidade das interações sociais. Por isso, é importante reconhecer seu diagnóstico e saber como manejar corretamente essas condições.

O que são as fraturas em terço médio da face?

Qualquer trauma que colide contra a face, dependendo da sua cinética e da sua força total, pode ocasionar uma fratura de terço médio. Mas, o que seriam essas fraturas? As fraturas em terço médio da face são aquelas cometidas na região que corresponde entre as bordas inferiores da maxila até as superiores da órbita.

O que são as fraturas em terço médio da face
Fonte/Reprodução: original

No geral, essas fraturas são provocadas por colisões diretas em face, como em acidentes de carro ou moto, agressões físicas, lesões durante a prática esportiva ou, até mesmo, quedas, dependendo da altura. Geralmente, a velocidade está relacionada diretamente com o tipo de fratura, que pode ser classificada em LeFort e NOE.

Quais são as suas classificações?

O terço médio da face é composto por diferentes estruturas ósseas conhecidas como pilares de resistência óssea, devido a sua estrutura robusta. Elas são responsáveis por garantir proteção contra todas as forças direcionadas para os ossos da face. Entretanto, quando as forças vão além, é comum que elas resultem nas fraturas em terço médio da face.

As fraturas em terço médio da face compreendem todas as estruturas que vão das margens inferiores das maxilas até as margens supraorbitais e a glabela. Envolvendo, então, complexos zigomáticos e os ossos próprios nasais — estruturas essas localizadas nesse campo delimitado. As classificações para as fraturas dos ossos em terço médio da face são:

LeFort 1

Também conhecida como fratura de Guerin, a LeFort 1 é provocada por forças horizontais com direção abaixo da borda maxilar e bem acima dos dentes superiores, que fraturam e separam a maxila, bilateralmente, do resto do viscerocrânio.

A fratura é notada ao longo dos seios maxilares e do assoalho da fossa nasal, bem ao nível da abertura piriforme. Assim, separa as estruturas através das lâminas pterigoides, da região nasal e do complexo zigomático.

É bem comum que esse tipo de fratura em terço médio da face separe a maxila das demais estruturas, assim como pode também dividir o osso do palato ou provocar a fragmentação dos ossos maxilares.

LeFort 2

Quando essas forças são aplicadas mais intensamente (do que citado antes) na região inferior ou média das maxilas, é possível observar uma fratura do tipo LeFort 2. Essa, já vai um pouco além de sua antecessora e separa a maxila e todo o complexo de estruturas nasais do viscerocrânio e do complexo zigomático, em uma fratura semelhante a uma pirâmide — levando, também, o nome de fratura piramidal.

Outras estruturas ósseas que podem estar envolvidas nesse tipo de fratura são as regiões laterais e posteriores dos seios maxilares, bilateralmente, assim como os ossos lacrimais ou o etmoide.

LeFort 3

Por fim, a LeFort 3 ocorre quando a força, que atinge a região nasal ou superior da maxila, apresenta tanta cinética e altura suficiente que é capaz de separar as estruturas ósseas do viscerocrânio de sua base.

Nesse caso, todo o complexo naso-órbito-etmoidal, maxilares e os zigomas são separados da base do crânio, o que garante o segundo nome da fratura: disjunção craniofacial. Ou seja, ocorre a separação total do terço-médio da face pela fratura.

As fraturas em terço-médio da face classificadas como LeFort 3 também podem afetar as fissuras orbitais superiores, os etmoides, ossos lacrimais, as asas maiores do osso esfenoide e, até mesmo, as suturas fronto zigomáticas.

Fraturas NOE

As fraturas NOE, conhecidas normalmente como naso-orbito-etmoidal, são aquelas que acometem a região central e superior da face — justamente, no ponto de encontro dessas estruturas ósseas. Geralmente, tanto as LeFort 3 como as NOE estão associadas devido à cinética do trauma.

O seu sinal clínico mais clássico é o telecanto traumático, quando o ligamento cantal medial é rompido de forma bilateral e ocorre o aumento do espaço intercantal, ou seja, entre as órbitas.

Ainda, há no grupo das fraturas em terço médio da face, as localizadas em complexo zigomático e as de ossos próprios nasais, que merecem destaque próprio por conta de suas respectivas classificações e formas diferentes de tratamento.

Sinais clínicos das fraturas em terço médio da face

Qualquer fratura em face pode apresentar grandes riscos à saúde, entretanto, as que acometem o terço médio da face podem ser de grande gravidade e necessitar, até mesmo, dos princípios de ATLS (Suporte Avançado de Vida no Trauma). Os cuidados iniciais são realizados pela própria equipe de trauma, porém, é importante saber como averiguar sua necessidade.

Em um exame físico das fraturas em terço médio da face, pode-se encontrar sinais clínicos clássicos desses tipos de fratura. Inicialmente, é importante avaliar a região maxilofacial como um todo em busca de assimetrias faciais ou ósseas, lacerações em tecidos moles, assim como a presença de otorragia ou rinorragia, com extravasamento do liquor.

Sinais clínicos das fraturas em terço médio da face
Fonte/Reprodução: original

É importante avaliar também os reflexos pupilares, a acuidade visual e a movimentação do globo ocular pelos seus músculos extraoculares, para verificar se houve comprometimento ou não da órbita.

Quanto aos sinais clínicos presentes, é possível ter histórico de epistaxe pelo trauma em ossos próprios nasais, assim como edemas nas regiões da face e equimose periorbitária. Vale lembrar que, caso esteja bilateralmente, como o Sinal de Battle, pode ser representativo de uma fratura em base de crânio.

Crepitação, a inspeção óssea, mobilidade dos ossos maxilares, alterações de oclusão como a presença de mordida aberta, anosmia, epífora e telecanto traumático também são sinais clínicos sugestivos das fraturas em terço médio da face. Falta de sensibilidade na região infraorbitária, diplopia ou enoftalmia podem indicar fraturas, também, em assoalho de órbita.

Tratamentos

O tratamento das fraturas em terço médio da face não foge do protocolado nos outros tipos de traumas em face. No geral, elas são tratadas dentro do centro cirúrgico em caso de maloclusões, enoftalmia, diplopia, deformidades estéticas, anestesias nervosas, dentre outras indicações que não permitam o tratamento fechado e conservador da fratura.

O objetivo geral do tratamento é devolver estética e funcionalidade, mantendo a integridade das estruturas nasais e orbitárias, assim como a correta oclusão das arcadas dentárias e a dimensão vertical da face.

No tratamento cirúrgico, se utiliza a técnica de fixação interna rígida, com a instalação de placas de titânio e parafusos. Ela pode ser feita tanto imediatamente após o trauma, caso seja indicado devido à recuperação e a urgência da lesão, como também pode ser realizada posteriormente, após a regressão do edema.

As fraturas em terço médio da face são bem prevalentes nos serviços de saúde de urgência e emergência, especialmente em pacientes politraumatizados. Reconhecer seus sinais clínicos e possíveis tratamentos é fundamental, não só para as provas em residência, como também para a carreira de cirurgião bucomaxilofacial.