Antibioticoterapia na Odontologia Para que serve

Antibióticos na odontologia: Para que serve?

Os antibióticos na odontologia são amplamente empregados na rotina clínica, independente de sua especialidade. Entretanto, muitos alunos da graduação ou, até mesmo, cirurgiões-dentistas com anos de experiência ainda sentem dúvidas em relação ao tema e suas indicações no cotidiano.

Na cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial, a antibioticoterapia está presente em grande peso. Há várias recomendações para sua terapêutica, seja em cirurgias ambulatoriais, como exodontias de terceiros molares impactados, para o tratamento de infecções odontogênicas, pericoronarites, profilaxia da endocardite bacteriana ou em outros quadros de natureza inflamatória e infecciosa.

Devido a sua grande importância, os antibióticos na odontologia também são cobrados em muitas provas de residência e em concursos públicos, por exemplo: ingresso ao Sistema Único de Saúde, Marinha, Exército, dentre outras instituições.

Por conta disso, é importante ter em mente cada um dos antibióticos amplamente utilizados na prática odontológica, assim como suas indicações, posologias, mecanismos de ação e outras características de relevância — tanto para a clínica, como também para a realização de uma boa prova. Assim, confira para que serve os antibióticos na odontologia e os principais utilizados!

Classificação dos antibióticos

Sabe-se que a cavidade oral, além de ser um ambiente benéfico para o crescimento e para a proliferação de inúmeras bactérias, também apresenta sua própria comunidade bacteriana, denominada microbioma. O seu desenvolvimento depende de diferentes fatores, por exemplo: infecções de origem periodontal, endodôntica, condição sistêmica, dieta e dentre outros.

Classificação dos antibióticos
Fonte/Reprodução: original

Diante de uma infecção já estabelecida, seja ela odontogênica ou não, é importante se atentar ao seu tratamento. De forma auxiliar, temos os antibióticos na odontologia — amplamente empregado em diversas especialidades, como coadjuvante terapêutico na prevenção, controle e tratamento dessas infecções.

Há diversos antibióticos empregados na rotina clínica e, para isso, se utilizam importantes critérios de classificação, empregados de acordo com o seu mecanismo de ação, espectro e sua ação fisiológica.

  • Ação biológica: conforme a sua ação, os fármacos são classificados em bactericida (eliminação de bactérias sensíveis ao princípio ativo) e em bacteriostática (quando podem impedir o crescimento e a multiplicação dessas bactérias);
  • Espectro de ação: classifica os antibióticos em relação a sua eficácia contra os mais diversos tipos de microrganismos, como bactérias gram negativas, gram positivas, anaeróbias e dentre outros;
  • Mecanismo de ação: por fim, os fármacos podem ser divididos segundo a sua atuação no microrganismo, como atuação na parede celular, na síntese de proteínas, na membrana citoplasmática ou em seu metabolismo.

De uma forma geral, os mecanismos no qual os antibióticos atuam ainda não são compreendidos em sua totalidade. No entanto, é considerado ideal o fármaco capaz de exercer o seu papel sem causar nenhum dano ao organismo, apenas ao microrganismo responsável pela infecção — no que é chamado de máxima toxicidade seletiva.

Quais são os antibióticos utilizados na odontologia?

É comum se deparar na rotina clínica com o uso de antibióticos na odontologia, seja na profilaxia de infecções em cirurgias orais, como a endocardite bacteriana e sendo coadjuvante no controle de infecções odontogênicas. É de rotina, também, se deparar com o seu uso na antissepsia — responsável por reduzir a contaminação e a taxa de microrganismos na cavidade oral.

O uso de antissépticos orais como a Clorexidina ou a Iodopovidona 10% é um dos principais na clínica, afinal, a antissepsia é a base para uma cirurgia oral bem sucedida. Porque, além dessa, controlamos as infecções por outras barreiras como a esterilização e a desinfecção de bancadas.

Além dos antissépticos orais, os antibióticos na odontologia também são comumente empregados na forma de cápsulas ou comprimidos, cada um com a sua devida indicação. Os principais são:

Penicilinas

As penicilinas são as mais conhecidas entre os antibióticos na odontologia, pode ser naturais ou semissintéticas. Esses fármacos apresentam ação bactericida, ou seja, inibem a multiplicação e o crescimento bacteriano.

As penicilinas naturais são produzidas por fungos e, por não serem bem absorvidos através da via oral, são utilizadas apenas pelas parenterais e indicadas para infecções nas vias aéreas superiores, inferiores, pneumonias ou infecções cutâneas — não muito empregadas na odontologia.

Já as semissintéticas são elaboradas com precursores específicos no crescimento dos fungos, e envolvem dois fármacos de grande interesse para a área: a amoxicilina e a ampicilina. Não só isso, como a amoxicilina pode ser encontrada com o clavulanato de potássio, indicado para evitar a inativação do princípio ativo pelos inativadores de betalactamase.

Cefalosporinas

As cefalosporinas são antibióticos também bactericidas, porém com um espectro de ação levemente maior do que o grupo das penicilinas. Além disso, são mais resistentes contra os inativadores de betalactamase. A cefalexina é o antibiótico mais famoso do grupo, relacionado também com o surgimento da colite pseudomembranosa.

Macrolídeos

Com excelente absorção pelo organismo e biodisponibilidade por via oral, os macrolídeos apresentam espectro de ação semelhante ao da penicilina e são bacteriostáticos. Neste grupo, é possível encontrar a claritromicina, eritromicina e a azitromicina.

Clindamicina

Uma questão importante nas provas de residência envolve a clindamicina e sua família antibiótica, as lincosaminas (derivados químicos da lincomicina). Além disso, ela era amplamente utilizada como segunda opção na profilaxia bacteriana, entretanto, isso mudou com a nova classificação da AHS.

De qualquer forma, a clindamicina é bacteriostática e apresenta excelente absorção e penetração, garantindo uma alta concentração nos casos de abscessos.

Tetraciclinas

Famosas pelo desenvolvimento de manchas nos dentes, as tetraciclinas são antibióticos bacteriostáticos com excelente absorção. Entretanto, podem ser depositadas na forma de ortofosfato complexo nos tecidos ósseos e dentários, e deve ser evitado no desenvolvimento para que não se tenha manchas marrons nem hipoplasia de esmalte aos dentes.

Metronidazol

Bactericida e bem absorvida pela via oral, o metronidazol atravessa as barreiras teciduais com eficácia. Além de ser bem distribuído pelos fluidos e pelo sulco gengival. Seu espectro de ação envolve os bacilos anaeróbios gram negativos.

Como selecionar antibióticos na Odontologia?

É importante, na prática clínica, saber como escolher os antibióticos que devem ser empregados, de acordo com cada caso observado. Afinal, o sucesso do tratamento é dado pela escolha e pela eficácia do fármaco contra os microrganismos envolvidos, conforme o seu espectro de ação.

Na odontologia, as penicilinas (especialmente a amoxicilina) são a primeira escolha para o tratamento das infecções odontogênicas — de acordo com Eduardo Dias de Andrade, em Terapêutica Medicamentosa na Odontologia. Enquanto as cefalosporinas são escolhas secundárias, e mais recomendadas para profilaxia em ortognática ou infecções graves tratadas em âmbito hospitalar.

Como selecionar antibióticos na Odontologia
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Já o metronidazol é bastante utilizado para infecções agudas, como as pericoronarites. Quando associada à amoxicilina, desempenha importante papel na periodontia, especialmente contra microrganismos relacionados com a periodontite agressiva.

Por fim, há uma gama de antibióticos na odontologia que podem ser utilizados na prática clínica. Por isso, é importante conhecer todos eles e suas respectivas indicações.

Indicações dos antibióticos na Odontologia

Os antibióticos na odontologia são indicados em dois casos específicos: no tratamento de infecções previamente instaladas, de origem crônica ou aguda, e na sua profilaxia antes de procedimentos cirúrgicos, sejam eles muito invasivos ou não.

Em infecções, é comumente empregado como coadjuvante terapêutico junto da remoção da causa, para reduzir o número de microrganismos e melhorar a defesa do hospedeiro. Para utilizar corretamente, é importante saber quais são seus critérios de escolha, por exemplo, as características do processo infeccioso e suas manifestações sistêmicas.

Profilaxia antibiótica: quais são suas indicações?

A profilaxia antibiótica é muito empregada na clínica odontológica, por mais que seja controversa em determinados casos. Porque, muitos utilizam quando não há indicação clara, como exemplo nas cirurgias de terceiros molares inclusos, periodontais ou parendodônticas.

Segundo Andrade, o uso de antibióticos na odontologia para profilaxia é considerada, somente, nas seguintes ocasiões:

  • Prevenção de infecção em uma região estéril;
  • Infecções remotas, associadas com altas taxas de mortalidade;
  • Procedimentos que tenham taxas elevadas de infecção;
  • Na implantodontia, para instalar o devido material.

Muito se debate, também, quanto ao uso de profilaxia antibiótica para a endocardite infecciosa.

Nesse caso, é indicado que seja feito, conforme a American Heart Association, em pacientes que tenham próteses ortopédicas implantadas recentemente ou pacientes imunossuprimidos. Assim como, na presença de valvas protéticas, histórico do quadro ou cardiopatias congênitas de alta complexidade.

Antibióticos utilizados para profilaxia da endocardite

De acordo com a nova classificação da American Heart Association, lançada em 2021, as diretrizes de antibióticos utilizados para a profilaxia da endocardite infecciosa sofreram algumas alterações — especialmente com a substituição da clindamicina. Atualmente, se emprega o seguinte protocolo:

SituaçãoAntibióticoAdultoCriança
OralAmoxicilina2g50mg/kg
ParenteralAmpicilina; 
Cefazolina ou Ceftriaxona
2g IM/IV;

1g IM/IV
50mg/kg IM/IV

50mg/kg IM/IV
Alérgicos a amoxicilina ou ampicilina – via oralCefalexina;

Azitromicina ou Claritromicina;

Doxiciclina
2g;

500mg;


1000mg
50mg/kg 

15mg/kg


<45kg , 2.2mg/kg
>45kg, 100mg
Alérgicos a amoxicilina ou ampicilina – via parenteralCefazolina ou Ceftriaxona1g IM/IV50mg/kg IM/IV

Os antibióticos na odontologia são grandes aliados contra as mais variadas infecções que podem acometer a cavidade oral. Além disso, são bastante cobradas nas provas de residência, especialmente a nova classificação da American Heart Association. Por isso, é importante se atentar ao tema e saber cada característica em relação aos fármacos empregados.