Infecções Odontogênicas causas, riscos e tratamentos

Infecções Odontogênicas: causas, riscos e tratamentos

As infecções odontogênicas estão presentes diariamente na rotina clínica da Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial ao redor do Brasil, e é de grande importância que o cirurgião-dentista saiba tudo sobre esse grande problema. Não só isso, como essa temática também se torna cada vez mais cobrada nas provas de residência do país.

Sem sombra de dúvidas, essa condição é uma das mais complexas e mais complicadas de resolver na odontologia. Seja pela natureza da infecção ou pelo próprio despreparo do profissional, as infecções odontogênicas apresentam um grande risco à vida do paciente caso sua causa não seja removida e, não seja devidamente tratada.

Patologias endodônticas como pulpite, cáries extensas, lesões radiculares ou pericoronarite são alguns dos exemplos das principais causas que podem promover o surgimento das infecções odontogênicas. Assim, se disseminar em sua evolução para as regiões adjacentes, como o rosto, o pescoço e para os tecidos mais posteriores da cavidade oral.

Que tal, então, compreender o que são as infecções odontogênicas, suas possíveis causas e como tratar essas condições? Confira e se prepare, tanto para lidar com esse problema na clínica, como para estar atento às questões de residência!

O que é uma infecção odontogênica?

As infecções odontogênicas são aquelas que se apresentam por conta de um determinado fator dentário — ou seja, apresentam origem por meio do elemento dentário. Normalmente, elas são causadas por bactérias que já fazem parte da microbiota da cavidade oral, que em sua normalidade se encontram na superfície da mucosa e de outras estruturas bucais, como os sulcos gengivais ou, até mesmo, as placas.

Sabe-se, segundo a literatura, que as principais bactérias envolvidas nas infecções odontogênicas são cocos aeróbios gram positivos, cocos anaeróbios gram positivos e bastonetes anaeróbios gram negativos. Entretanto, claro que o surgimento de uma infecção não depende somente da microbiota oral, mas também de outros pontos, como o sistema imunológico e os fatores locais.

O que é uma infecção odontogênica
Fonte/Reprodução: original

No geral, essas bactérias são responsáveis por causar diferentes doenças e condições que já conhecemos no dia a dia clínico, como as cáries dentárias, a gengivite ou até mesmo a periodontite.

Entretanto, quando esses microrganismos se tornam capazes de invadir os tecidos profundos subjacentes, seja por meio do periápice, de uma bolsa gengival profunda ou pela polpa necrosada, provocam a infecção odontogênica associada aos seus sinais flogísticos clássicos.

Essas infecções odontogênicas podem se manifestar de forma mais superficial, como o caso dos abscessos que apresentam drenagem para a cavidade oral ou de forma mais profunda, invadindo os espaços fasciais em infecções de alta gravidade e risco. Por isso, sempre é necessário reconhecer a causa e conhecer os principais antibióticos empregados no tratamento.

Quais são as principais causas da infecção odontogênica?

De uma forma geral, a principal origem de uma infecção odontogênica está no elemento dentário. Ou seja, quaisquer fatores infecciosos que podem atingir o dente e seus tecidos circundantes, serão responsáveis por propagar as infecções odontogênicas aos tecidos moles adjacentes.

Dessa maneira, as principais causas das infecções odontogênicas são as patologias endodônticas, necrose pulpar, extensas lesões de cárie, periodontites, osteomielites, pericoronarites ou, até mesmo, quadros infecciosos pós-operatórios.

Como ocorre a propagação da infecção odontogênica?

As infecções odontogênicas têm sua origem determinada por fatores locais que podem atingir o dente e o tecido ao seu redor.

Com isso, em sua evolução, elas apresentam duas vias principais para se propagar: a periapical e a periodontal. Na primeira, as bactérias ganham acesso aos tecidos profundos por meio da polpa necrosada, enquanto na seguinte, por bolsas periodontais profundas.

Como ocorre a propagação da infecção odontogênica
Fonte/Reprodução: original

Uma infecção aguda é estabelecida ao redor do elemento acometido pela causa, que evolui e se dissemina por todo o tecido ósseo até encontrar uma lâmina cortical de menor resistência. E, quando a encontra, atravessa e atinge os tecidos moles ao seu redor em localizações anatômicas que já são previsíveis, os espaços fasciais.

Dois fatores principais conseguem determinar quais são os espaços que serão acometidos: a espessura do tecido ósseo responsável por recobrir o ápice dentário e sua relação com as inserções dos músculos maxilares e mandibulares.

Com a propagação da infecção, ela vai do tecido duro aos tecidos moles e promove os quadros de celulite e abscessos, com diferenças clínicas entre si. Pode-se dividir a propagação da infecção odontogênica em três fases clínicas:

  • Fase de inoculação: ocorre entre o primeiro e o terceiro dia, restrito apenas ao periápice e ao ligamento periodontal do elemento dentário com dor periapical intensa;
  • Fase de celulite: presente de 3 a 7 dias, já bem difusa nos tecidos moles e conhecida por ser a infecção em seu estado agudo, sem ponto de flutuação;
  • Fase de abscesso: pode ter início a partir do quinto dia, bem delimitada e circunscrita, com presença de ponto de flutuação e pus em seu interior. É o estágio crônico da infecção.

Em sua propagação, os sinais e os sintomas mais comuns das infecções odontogênicas são a dor local, o aumento de volume, vermelhidão, aumento na temperatura da região ou febre, dificuldade na mastigação e na deglutição, limitação na abertura bucal e dificuldade para respirar, quando o quadro já está mais avançado.

Quais são as consequências da infecção odontogênica?

Quando não são diagnosticados e nem tratados precocemente, as infecções odontogênicas podem continuar sua evolução através dos espaços fasciais e acometer outros, trazendo quadros de grande risco à vida do paciente. Os dois agravamentos de quadro mais comuns são a Angina de Ludwig e a Trombose do seio cavernoso.

A angina de Ludwig se trata a respeito da disseminação descendente da infecção odontogênica, quando ela acomete bilateralmente os espaços fasciais submandibulares, sublinguais e submental. Esse quadro promove um edema bilateral e projeta a língua para a posterior, podendo levar o paciente a óbito por falta de oxigenação e asfixia.

Já a trombose do seio cavernoso está bem relacionada com elementos superiores, em especial os caninos. Quando a infecção progride de forma ascendente, seja pelos seios da face ou não, pode obstruir uma veia bem importante, localizada na base do cérebro. Isso pode provocar inúmeros danos ao Sistema Nervoso Central, assim como a protrusão dos olhos e convulsões.

Quais são os princípios de tratamento para infecção odontogênica?

O tratamento básico para as infecções odontogênicas envolve a remoção da causa, ou seja, se for uma pulpite que esteja provocando o quadro, se faz o tratamento de canal da mesma ou sua exodontia.

Em sequência, se faz uma boa antibioticoterapia conscientemente e seguindo o tempo adequado de uso. Para seguir uma lógica terapêutica de excelência, há 8 princípios de tratamento para as infecções odontogênicas que se deve ter atenção:

Analisar a gravidade da infecção

Para tudo na odontologia se realiza uma boa anamnese, e aqui não seria diferente. Devemos avaliar o início do quadro infeccioso, a evolução, a velocidade de sua progressão e se houve alteração nos sinais vitais do paciente.

Estudar a defesa do hospedeiro

Devemos sempre prestar atenção em condições sistêmicas que podem alterar o sistema imunológico do paciente, como a hipertensão arterial sistêmica, diabetes ou o uso crônico de medicamentos que podem imunossuprimir o organismo.

Definir se ele deve ser tratado por um clínico geral ou por um Bucomaxilofacial

Em certos casos, as infecções odontogênicas podem se encontrar em quadros mais graves e necessitam de uma abordagem em âmbito hospitalar, com todo o suporte necessário.

Definir o tratamento cirúrgico da infecção

Nessa fase do tratamento, se define qual será a conduta abordada. Ou seja, definir se será possível realizar a remoção da causa e a drenagem da infecção, com instalação do dreno de penrose.

Garantir suporte médico ao paciente

Um dos fatores mais importantes para o sucesso do tratamento está no sistema imunológico do hospedeiro. Garantir que o paciente imunossuprimido esteja, também, em contato com o seu médico é necessário para a troca de informações e para ter apoio.

Escolha apropriada dos antibióticos

O tratamento das infecções odontogênicas segue a lógica de remoção da causa, drenagem e antibioticoterapia. Para isso, é necessário fazer a escolha apropriada do medicamento que será usado, conforme as bactérias envolvidas e com o grau da infecção.

Administração adequada dos antibióticos

Entretanto, nada adianta saber escolher o antibiótico se não souber administrar adequadamente a medicação. Isso envolve a posologia adequada, o intervalo e o número de dias.

Avaliação frequente do paciente

Por fim, é essencial acompanhar o paciente e realizar sua avaliação frequentemente, para que se observe se houve melhora ou não do quadro.

As infecções odontogênicas podem se tornar quadros graves, por isso, reconhecer suas causas e seus princípios de tratamento são fundamentais para um excelente prognóstico. Se prepare para a residência e veja os principais tópicos e questões do tema em nosso curso, confira!