Fraturas mandibulares o que são, quais as suas classificações e tratamentos

Fraturas mandibulares: o que são, quais as suas classificações e tratamentos?

Figuradas como uma temática bastante cobrada nas principais provas de residência e de estágio não-obrigatório ao redor do país estão as fraturas mandibulares. Os futuros residentes de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial não só devem saber cada tipo e suas respectivas classificações, como também realizar um bom diagnóstico delas para seguir com o tratamento mais indicado.

Sabe-se que os traumas em face são responsáveis, não só, por provocarem as fraturas em mandíbula ou em outras estruturas da face, como também podem causar lesões nos tecidos moles ou nos elementos dentários — causando até mesmo avulsões. Além da mandíbula, é comum observar fraturas em ossos próprios nasais, arcos zigomáticos e nas maxilas.

Ter conhecimento sobre como realizar uma boa anamnese a respeito da saúde geral do paciente e do histórico do trauma, reconhecer as classificações das fraturas em face e saber como conduzir o atendimento é fundamental para qualquer um que deseja ser um cirurgião bucomaxilofacial.

O que são as fraturas mandibulares?

Quando o assunto é trauma em face, as fraturas mandibulares são uma das mais prevalentes do complexo zigomático, seguida pelas de ossos nasais e arco zigomático. Entretanto, assim como a prevalência de suas etiologias, variam de região para região. De modo geral, podemos definir as fraturas mandibulares como todas as que acometem o osso mandibular.

O que são as fraturas mandibulares
Fonte/Reprodução: original

As fraturas mandibulares podem acometer qualquer região do osso e apresentar diferentes classificações, conforme os fragmentos ósseos envolvidos. Sua forma varia de acordo com a etiologia do trauma e com a força aplicada sobre a superfície óssea. Uma de suas classificações é realizada a respeito da localização anatômica da fratura, que as divide em:

  • Fraturas condilares;
  • Fraturas coronoides;
  • Fraturas em ramo;
  • Fraturas de ângulo;
  • Fraturas de corpo;
  • Fraturas em sínfise;
  • Fraturas dos processos alveolares.

Segundo Hupp, em Cirurgia Oral e Maxilofacial Contemporânea, as fraturas em côndilo são as mais prevalentes (29,1%), seguidas pelas de ângulo de mandíbula (24,5%) e pelas em sínfise (22%). Fraturas em corpo (16%) e dos processos alveolares (3,1%) também são bem comuns na mandíbula, subsequenciadas pelas fraturas de ramo (1,7%) e coronoides (1,3%).

Quais as principais causas de fraturas mandibulares?

As principais causas de fraturas mandibulares e em outras estruturas do complexo maxilofacial, como zigoma e arco zigomático, órbitas, ossos próprios nasais ou maxilas envolvem o trauma direto em face.

Os principais fatores etiológicos do trauma são os acidentes esportivos ou automobilísticos, agressão física, quedas da própria altura e colisão de objetos em face. No geral, a força do impacto gerado pelo trauma vai indicar como será a classificação da fratura e se envolverá múltiplos fragmentos ósseos.

Sinais e sintomas das fraturas mandibulares

Assim que o paciente estiver estabilizado após o trauma, é responsabilidade do residente ou do cirurgião bucomaxilofacial coletar uma anamnese completa. Nessa anamnese, é importante questionar sobre a história do trauma, se o paciente chegou a ter perda da consciência, sangramentos nasais ou pelo ouvido, os seus sintomas e o seu estado geral.

Depois disso, é realizado um exame físico bem detalhado para verificar a presença das fraturas de mandíbula. Avalia-se, então, toda a estrutura de ramo e corpo, bordas inferiores e laterais, assim como a articulação temporomandibular. No geral, os principais sinais e sintomas das fraturas mandibulares são:

  • Edemas na região;
  • Dor, especialmente no momento do exame físico;
  • Alterações na sensibilidade do nervo alveolar inferior;
  • Mudanças no arco dentário inferior;
  • Em alguns casos, avulsões dentárias;
  • Lacerações em cavidade oral;
  • Hematomas e equimoses, intra ou extra-oral;
  • Mobilidade dos fragmentos;
  • Crepitação na superfície óssea durante sua manipulação.

Também é necessário realizar uma análise criteriosa da oclusão do paciente, para verificar se há ou não desnivelamento e desoclusão dos elementos dentários superiores e inferiores. Por fim, a manipulação deve ser firme para saber se há ou não mobilidade dos fragmentos envolvidos no traço.

Diagnóstico das fraturas mandibulares

Após ter feito o exame clínico, o diagnóstico das fraturas mandibulares é confirmado por exames de imagem. A tomografia computadorizada é, sem sombra de dúvidas, o exame de primeira escolha para qualquer fratura em face. Pois, através dela, é possível visualizar todas as estruturas anatômicas com precisão.

Entretanto, caso a tomografia não esteja disponível, pode-se solicitar uma radiografia panorâmica dos maxilares ou a radiografia póstero-anterior de mandíbula. Assim como a lateral oblíqua de mandíbula, referente ao lado afetado.

Como podemos classificar as fraturas mandibulares?

Além da classificação de acordo com a anatomia da estrutura, as fraturas mandibulares também podem ser divididas em grupos conforme a condição e organização dos fragmentos ósseos envolvidos no traço de fratura.

De acordo com a presente literatura (HUPP, James R. Cirurgia Oral e Maxilofacial Contemporânea), as fraturas mandibulares podem ser classificadas em:

Simples

Também conhecida como fechada, as fraturas mandibulares simples são aquelas que não apresentam nenhuma comunicação com o meio externo ou com a cavidade oral. Ou seja, não há nenhuma ferida que expõe o osso, seja em pele, ligamento periodontal ou mucosa oral.

Composta

Já a composta, também conhecida como fratura aberta, é o oposto. As fraturas mandibulares dessa natureza apresentam feridas que comunicam o meio externo com o osso lesionado. Dessa forma, há contato entre o osso e o ambiente, seja em cavidade oral ou através da pele.

Galho verde

A galho verde é uma das classificações de fraturas na qual os alunos mais apresentam dúvidas. De forma breve, as fraturas deste tipo são aquelas cuja cortical óssea está fraturada e, a outra, se encontra dobrada.

Cominutiva

As fraturas mandibulares cominutivas são aquelas cuja superfície óssea se apresenta fragmentada, ou seja, com múltiplos fragmentos de tecido duro. No geral, o osso se encontra esmagado, estraçalhado e suas partes espalhadas em tecido mole, como o caso das lesões causadas por PAFs (projétil de arma de fogo).

Há, ainda, as fraturas que podem ser de origem patológica, quando ocorre como consequência de uma patologia óssea ou atrófica, que acontece de forma espontânea por conta da densidade da mandíbula — especialmente em edêntulos. Além disso, as fraturas em côndilo apresentam uma classificação à parte, de acordo com a área acometida.

Qual a diferença entre uma fratura favorável e desfavorável?

Outra classificação bastante cobrada nas provas de residência, capaz de deixar muitos alunos e futuros residentes em dúvida, é a respeito das fraturas mandibulares favoráveis e desfavoráveis. Essa classificação considera a direção que a fratura foi feita e a ação muscular da região.

Qual a diferença entre uma fratura favorável e desfavorável
Fonte/Reprodução: original

Uma fratura mandibular favorável é aquela cujos músculos da mastigação (masseter, pterigoideo medial e temporal) deslocam o fragmento ósseo, durante a sua ação. Já a fratura desfavorável é aquela na qual não há deslocamento quando os músculos se contraem.

Tratamento das fraturas mandibulares

Há diferentes formas de abordagem terapêutica para as fraturas mandibulares, tudo depende do seu tipo e da sua região anatômica. No geral, se estabelecem dois tipos de tratamento para as fraturas: aberta, por acessos cirúrgicos e exposição óssea para fixação da fratura, ou fechada, com bloqueio maxilomandibular, sem exposição cirúrgica.

É claro que há indicações, vantagens e desvantagens para cada técnica e sua escolha irá depender do caso específico que se está tratando. No geral, independente da abordagem escolhida, o tratamento deverá seguir os princípios de:

  • Permitir uma cicatrização óssea rápida;
  • Garantir o retorno das devidas funções;
  • Recuperar a fala;
  • Ter um bom resultado estético.

Entretanto, o principal objetivo ao cuidar das fraturas mandibulares é restabelecer a correta oclusão do paciente, para se ter um bom resultado funcional do aparelho estomatognático.

As fraturas mandibulares são bem prevalentes dentro do serviço de Cirurgia Bucomaxilofacial, especialmente nas regiões mais agitadas do Brasil. Saber sua classificação e seus tratamentos não é importantes apenas para a prova, como também para a carreira como cirurgião bucomaxilofacial.