Analgésicos e anti-inflamatórios na Bucomaxilofacial qual seu papel no controle da dor e do edema

Analgésicos e anti-inflamatórios na Bucomaxilofacial: qual seu papel no controle da dor e do edema?

Na odontologia, os analgésicos e anti-inflamatórios são muito utilizados na prática clínica, independente da especialidade, para promover o alívio da dor, do edema e auxiliar no bem-estar do paciente. Contudo, muitos especialistas e estudantes da área ainda possuem algumas dúvidas sobre esse assunto no dia a dia.

O tratamento de analgésicos e anti-inflamatórios na Bucomaxilofacial, seja em cirurgia ou em traumatologia, é altamente empregado e possui diversas recomendações. E além desses medicamentos serem importantes para o tratamento, também são um assunto cobrado com frequência em residências e provas de concursos.

Portanto, para sanar suas dúvidas sobre esse assunto, leia o artigo abaixo e confira informações como o que são esses medicamentos, quais suas funções, como eles funcionam e muito mais!

O que são os analgésicos?

Esses medicamentos são utilizados para aliviar a dor. Sua função é atuar no sistema nervoso central do organismo e reduzir, ou bloquear, a transmissão de sinais de dor enviados para o cérebro o que garante um alívio temporário da dor, seja qual for a intensidade, o local e o motivo.

O que são os analgésicos
Fonte/Reprodução: original

Esses fármacos são divididos em dois tipos: os analgésicos não opiáceos, como o ibuprofeno, que atuam no combate a febre e/ou dor, mas não são capazes de atuar contra a inflamação, e os analgésicos opiáceos, como a morfina e codeína, utilizados em casos de dores mais fortes.

Para que eles são indicados na Bucomaxilofacial?

Um dos motivos mais comuns que levam o paciente a buscar um cirurgião-dentista é a dor de dente, que, em um geral, apresenta caráter inflamatório e reações como edemas. Além disso, em diversos procedimentos odontológicos, é comum que o paciente sinta dor, como no caso de uma exodontia, que pode desenvolver uma reação inflamatória.

Na Bucomaxilofacial, é realizado o tratamento de patologias e problemas da boca, como cistos e tumores benignos da cavidade dos maxilares e oral, disfunções das articulações temporomandibulares, ou ATM, e fraturas dos ossos da face. Dessa forma, os profissionais da área indicam o uso desses medicamentos para um alívio da sintomatologia dolorosa.

Como funcionam os analgésicos?

No que diz respeito ao seu funcionamento no corpo, substâncias ativas diferentes apresentam modos de ação diferentes. Estes medicamentos atuam como inibidores seletivos da Ciclooxigenase, uma enzima também conhecida como COX, que é comumente encontrada no retículo endoplasmático.

Essa enzima se apresenta como COX-1, que se manifesta na maior parte das plaquetas e dos tecidos, além de desempenhar um papel na homeostase, bem como a COX-2 que realiza uma indução nas células inflamatórias pelas citocinas. Ao inibir ambas as enzimas, é possível reduzir as prostaglandinas, que são vasodilatadoras, e substâncias que causam inflamação, dor e febre.

O que são os anti-inflamatórios na Bucomaxilofacial?

Os anti-inflamatórios na Bucomaxilofacial e em outras áreas apresentam o mesmo efeito, o qual é amenizar ou impedir a reação inflamatória e minimizar os sintomas que são calor, dor e rubor na área afetada. Além disso, eles apresentam ação analgésica e antipirética.

Assim como os analgésicos, os anti-inflamatórios podem ser consumidos em forma de cápsulas, gel tópico, comprimidos e efervescentes, além da forma injetável e da suspensão oral. A diversidade de anti-inflamatórios no mercado é enorme e eles são divididos em dois grupos que serão explicados mais abaixo. 

Como ocorre o processo inflamatório?

Todo o processo inflamatório se inicia no momento em que o sistema imunológico reconhece um agente agressor. As células dendríticas e os macrófagos detectam esse agente e ativam a resposta inflamatória, que libera alguns mediadores químicos, como a histamina que é liberada pelos mastócitos, células do sistema imunológico que estão presentes nos tecidos do organismo.

A liberação de histamina faz com que ocorra uma vasodilatação dos vasos sanguíneos na região da lesão, o que aumenta o fluxo de sangue e ajuda as células de defesa para que elas cheguem até a lesão com mais facilidade. 

A vasodilatação também aumenta a permeabilidade dos vasos, o que permite que os macrófagos e neutrófilos, células responsáveis pela eliminação de microrganismos invasores por meio da fagocitose, também cheguem à região da lesão.

Conforme os macrófagos e neutrófilos realizam suas funções, mais mediadores químicos são liberados, como a quimiocina e a citocina, afinal essas substâncias chamam mais células imunes para auxiliar no local inflamado. A citocina ainda auxilia na comunicação das células do sistema imunológico.

A resposta inflamatória também libera as células do tecido conjuntivo, chamadas de fibroblastos, que possuem a função de produzir colágeno, que auxilia na reparação dos tecidos danificados. Dessa forma, o tecido se recupera, os mediadores químicos diminuem e as células mortas são removidas pelo sistema linfático.

Quais são os tipos de anti-inflamatórios na Bucomaxilofacial?

Os anti-inflamatórios são divididos em dois grupos, os Anti-inflamatórios não-esteroidais, também chamados de AINES, e os Anti-inflamatórios esteroidais, conhecidos também como corticosteroides. Ambos atuam como inibidores de duas enzimas diferentes, as quais são as cicloxigenases e as lipoxigenases A2, respectivamente.

Os AINES auxiliam a reduzir inflamações, dores leves/moderadas e febre, o que permite serem utilizados para tratar problemas mais simples. Diferente dos corticosteroides, que são utilizados para auxiliar no tratamento de problemas mais graves e dores mais fortes. Além disso, os anti-inflamatórios esteroidais devem ser utilizados por períodos curtos, pois seu uso em excesso pode causar efeitos colaterais.

Como os anti-inflamatórios na bucomaxilofacial funcionam?

Na Bucomaxilofacial, os anti-inflamatórios são frequentemente utilizados para auxiliar nos processos inflamatórios, como no controle da dor e da febre. Diferente dos analgésicos, os anti-inflamatórios atuam não somente no combate à dor, mas também na eliminação da inflamação.

Como os anti-inflamatórios na bucomaxilofacial funcionam
Fonte/Reprodução: original

Os anti-inflamatórios, ao serem utilizados, competem com as enzimas chamadas de Ciclooxigenase (COX), o que preenche os receptores e impede a sua ação sobre o ácido araquidônico, responsável por auxiliar a produção de prostaglandina. Dessa forma, o organismo minimiza a produção de prostaglandina e a inflamação diminui conjuntamente. 

Quais são os analgésicos e anti-inflamatórios mais empregados?

Alguns medicamentos podem ser vendidos sem receita, mas outros exigem uma prescrição médica para poderem ser vendidos. Os analgésicos e anti-inflamatórios não esteroidais não precisam de receita, são medicamentos seguros e utilizados normalmente para sintomas mais simples. Dentre eles, os mais empregados são:

  • Ácido Acetilsalicílico ou Aspirina (AAS); 
  • Ibuprofeno (Motrin ou Advil);
  • Dipirona (Novalgina);
  • Acetaminofenos (Tylenol);
  • Meloxicam (Melocox ou Flamatec);
  • Naproxeno (Aleve, Flanax ou Naprosyn);
  • Celecoxibe (Celebra);
  • Diclofenaco (Cataflam ou Voltarem).

Em compensação, os medicamentos que possuem esteroides são vendidos apenas com receita médica, afinal são utilizados para auxiliar em tratamentos de problemas de saúde mais fortes, até crônicos. Assim, entre os esteroidais, os mais empregados são apresentados como:

  • Dexametasona (Decadron);
  • Prednisona (Meticorten ou Predsim);
  • Metilprednisolona (Depo-medrol);
  • Hidrocortisona (Hidrocortisona Sódica ou Solu-Cortef);
  • Metadona (Mytedom);
  • Tramadol (Tramal);
  • Codeína (Paco ou Tylex);
  • Morfina.

Portanto, prescritos ou não, os analgésicos e anti-inflamatórios são muito utilizados em diversas áreas e principalmente na Bucomaxilofacial. Esses medicamentos são a forma mais efetiva e segura de tratar dores crônicas ou agudas quando usados da maneira correta e na dosagem ideal. 

Além disso, esses medicamentos são muito cobrados em provas de residência, tornando-se assim um assunto em que o aluno ou profissional deve se atentar bastante e estar informado sobre todas as características relacionadas. Para se aprofundar em Farmacologia e conseguir excelentes resultados nas provas, acesse o curso preparatório e tenha acesso a aulas exclusivas que lhe garantirão a aprovação na residência.